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Perguntas e respostas mais freqüentes sobre a radioatividade e o acidente radiológico de Goiânia

1. O que é a radiação? Por que ela pode fazer mal à saúde?
A radiação é uma forma de energia que se propaga no espaço, a partir de uma fonte emissora. No entanto, ela pode interagir com a matéria, como a do nosso corpo, e alterar suas estruturas celulares. Dependendo do grau dessa alteração, ela pode prejudicar nossa saúde.
2. Quais os tipos de radiação mais comuns?
A luz é a forma mais comum de radiação. Mas ainda existem outras, como a radiação infravermelha, a ultravioleta, as ondas de radiofreqüências (rádio, TV, telefonia), os raios-x e a Radioatividade.
3. Qual delas é mais prejudicial?
Depende da intensidade. Considerando os mesmo níveis de intensidade, a radioatividade e os raios-x, conhecidos como radiações ionizantes, podem causar danos imediatos ao nosso organismo;
4. Como isso ocorre?
A interação das radiações ionizantes com a matéria constituinte de nossas células pode causar a morte celular. Se isso ocorrer em grande escala, pode prejudicar o bom funcionamento de alguns de nossos órgãos e ficamos doentes;
5. Uma pessoa que tomou radiação pode passar essa radiação para outra pessoa?
Não. Uma pessoa ou objeto irradiado não guarda, em seu corpo, qualquer propriedade radioativa que possa ser transmitida. Assim, uma pessoa que faz tratamento com radioterapia ou fez radiografias, foi irradiada, mas não passa essa radiação para outra pessoa.
6. O que é uma contaminação radioativa?
A contaminação radioativa é a presença indevida de material radioativo em lugares onde ele não pode estar. A contaminação radioativa pode ocorrer no meio ambiente, nos lugares públicos, nas pessoas, etc.
7. A contaminação radioativa é transferível entre pessoas e objetos?
Sim, ela pode se propagar por contato e contaminar objetos e pessoas antes não contaminados.
8. No caso do acidente com o Cs-137 em Goiânia, em 1987, o que ocorreu?
Ocorreu a contaminação radioativa de residências, pessoas e lugares públicos, com um material altamente radioativo, proveniente de sua remoção indevida de um equipamento hospitalar de radioterapia.
9. O que foi feito para descontaminar esses lugares e pessoas?
Com relação às pessoas, elas passaram por procedimentos médicos de descontaminação interna e externa e, com relação aos lugares contaminados, foi feita a remoção de uma grande quantidade de material contaminado, acondicionado em tambores e caixas metálicas, que foram levados para um lugar provisório no município de Abadia de Goiás, a 25 km de Goiânia.
10. Quantas pessoas foram contaminadas com essa substância?
Na época do acidente, foram monitoradas 112.800 pessoas, sendo que 249 estávam contaminadas. Quatro pessoas faleceram em decorrência do alto grau de contaminação.
11. Onde e como essas vítimas foram enterradas?
No cemitério parque de Goiânia, em sepulturas de concreto e urnas funerárias revestidas com chumbo.
12. Que destino foi dado ao material contaminado levado para Abadia de Goiás?
Todo material gerado pela descontaminação da cidade de Goiânia, que totalizou cerca de 6000 toneladas, foi acondicionado em contêineres de concreto ou aço. Para armazenar de modo definitivo esses contêineres, foram construídos dois grandes depósitos, em forma de grandes caixas de concreto, próximos ao local provisório, numa área desapropriada pelo governo de Goiás, no município de Abadia de Goiás.
13. Existe algum tipo de controle ou de vigilância desses depósitos?
Sim. Existem as duas coisas. A vigilância é feita pelo batalhão da Polícia Ambiental de Goiás e o controle do depósito é feito pela CNEN. O local onde se encontram os depósitos era uma área de 150 hectares desapropriada pelo governo de Goiás para formação de um parque ecológico, o Parque Estadual Telma Ortegal.
14. Como é feito esse controle pela CNEN?
O controle, chamado Programa de Monitoração Ambiental ou PMA, é feito continuamente, pela monitoração radiológica e pelas análises de amostras de água, solo, vegetação e sedimentos, coletados na área dos depósitos.
15. Que tipo de ações seriam tomadas se houvesse contaminação do meio ambiente?
Até hoje, não foi detectado nenhum traço de Cs-137 nas amostras analisadas. Os depósitos foram construídos visando à retenção dos rejeitos por 300 anos ou mais, quando a radioatividade do Cs-137 já terá se esgotada. Nesse período, espera-se que não haja contaminação do meio-ambiente, mas se isso ocorrer, serão empregadas medidas corretivas de engenharia, apropriadas à contenção do material.
16. Como foi a aceitação da população do município de Abadia de Goiás, em relação à presença dos depósitos nas suas proximidades?
No início houve muita rejeição com protestos, à presença desses depósitos. Posteriormente, através de um trabalho de conscientização, envolvendo a CNEN, a PM-GO e representantes do município, a população e seus líderes políticos se convenceram da total segurança dos depósitos.
17. A CNEN mantém outras atividades na região centro oeste, além do controle dos depósitos?
Sim. Além do chamado controle institucional dos depósitos, a CNEN tem uma estrutura de atendimento ao público, para visitas e palestras, realiza pesquisas em parcerias com outras instituições e mantém equipes permanentes de atendimento à emergências radiológicas.
18.Por que a radioatividade é um processo tão demorado para se extinguir?
Nem sempre ela demora tanto. Isso depende do elemento radioativo ou, usando um termo técnico, da meia vida do radionuclídeo. Como exemplo, O Cs-37 tem meia de 30 anos, mas o Rn-222, por exemplo, de 3,8 dias. Alguns radionuclídeos têm meia vida de alguns dias ou até mesmo alguns minutos e sua radioatividade se extingue em pouco tempo. Os produtos chamados radiofármacos, usados na medicina nuclear, são em geral, produzidos com radionuclídeos de meia vida bem curta.
19. Não existe um jeito para abreviar este processo para eliminar logo a radioatividade de um elemento?
O processo de redução da radioatividade, chamado decaimento radioativo, é um processo natural e não tem como alterar seu rítimo. Isto ocorre porque o decaimento é um processo nuclear e a maioria dos processos físicos e químicos, como a temperatura, pressão e as reações químicas, usados para alterar as propriedades dos materiais, envolvem somente as camadas eletrônicas dos átomos e não afetam as propriedades nucleares. Isto significa, por exemplo, que o Cs-137 é radioativo em qualquer condição física e sob qualquer forma de composto químico.
20. Como são produzidos esses radionuclídeos?
Alguns radionuclídeos são naturais e existem na natureza desde a formação do planeta, como o Urânio-238 e o Tório-232. Outros, como o Carbono 14, são formados na alta atmosfera pela ação da radiação cósmica. A maioria dos radionuclídeos usados pelo homem, todavia, são artificiais, produzidos em laboratórios, como os radiofármacos. Outros são produzidos em um reator nuclear, como o Plutônio ou em explosões de artefatos nucleares, gerando dezenas de radionuclídeos, devido à fissão nuclear do Urânio ou do Plutônio.

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